O Palmeiras está apto ao Fair Play Financeiro, os outros não.

Escrito porno 18 de janeiro de 2018

De 2015 pra cá, quando se fala em Palmeiras é inevitável não falar também do seu poder financeiro.

Isso, sem dúvida nenhuma é um prato cheio para especulação de parte da imprensa, que não se preocupa em informar, mas apenas em receber cliques. Por outro lado, e este o que eu prefiro levar em consideração, gera um debate sobre a gestão do clube, a forma como o Palmeiras vem se preparando para o futuro, e, principalmente na minha visão, sobre o quanto vai se distanciando no quesito administração em relação aos seus adversários.

É muito importante frisar que o Palmeiras ainda não é a marca mais forte no mercado do futebol do Brasil e América Latina, mas está se preparando para alcançar tal marca. Parece, para alguns, loucura afirmar isso, mas basta ver em exemplos ao redor do mundo o quanto uma gestão administrativa forte em conjunto com exposição de marca feito da maneira correta, torna isso possível. Exemplos não faltam: Manchester United e City na Inglaterra, Borussia Dortmund e Bayer de Munique na Alemanha, Paris Saint Germain na França e posso listar mais uma série de casos. Por estes exemplos citados, fica mais fácil ilustrar o caminho que o Palmeiras tem feito com a sua marca, e o resultado disso pode sim levar o clube a ser o maior também fora de campo. Obviamente que esse sucesso a médio e longo prazo estará atrelado à boas gestões que virão, ou não, mais adiante.

Por conta das inúmeras contratações feitas pelo clube ao longo deste período (2015-18), a imprensa, que nem sempre se preocupa em informar, brada aos quatro cantos que devemos ter no Brasil, à partir do sucesso do Palmeiras, a aplicação do “Fair Play Financeiro”, pois, segundo boa parte desses “formadores de opinião”, há, portanto, um desequilíbrio do poderio financeiro do Palmeiras em relação aos demais clubes no país.

Como disse Breiller Pires, jornalista da ESPN e jornal El País: “O que eu questiono é que o Palmeiras tem um super time, podemos chamar de super time. Tem jogadores em todas as posições”, a frase foi dita em sua participação no programa Bate Bola do canal ESPN e você pode conferir clicando aqui. Com o maior respeito ao colega de profissão, que, sem dúvida tem ótimos trabalhos ao longo de sua carreira, mas, não se pode dizer um absurdo desses, no mesmo programa em que se enaltece o poderio dos clubes europeus.  Vou mais longe ainda, e, para não simplificar apenas no caso da ESPN, basta acompanhar o “desespero” de boa parte da imprensa quando o Palmeiras anuncia qualquer jogador. Vá ao twitter e acompanhe os setoristas de clubes rivais e vejam quantas vezes a palavra “Crefisa” ou “tia Leila” aparecem entre as citações. Digo desespero, pois, estes mesmos nem se deram conta de que em 2018 e boa parte das contratações de 2017 foram feitas sem o aporte de sequer R$1 da patrocinadora do clube. E, ainda sim, caso o clube traga a “cereja do bolo” Ricardo Goulart, poderá, se quiser, fazê-lo sem que a patrocinadora seja acionada novamente.

Patrocinadora esta que investe pesado mesmo no Palmeiras, mas certamente não à toa. Trata-se de um dos grupos de empresas com melhor desempenho no Brasil. Entendo que a “tia Leila” não colocaria o seu patrimônio em risco caso a parceria com o clube não desse resultados positivos para as suas empresas.

Há de se ter responsabilidade e usar o mesmo discurso para todos os clubes quando falamos que no Brasil precisamos ter o “Fair Play Financeiro”. Nisso, eu concordo em 100%, precisamos mesmo, e, caso isso aconteça o Palmeiras será um dos poucos, ouso dizer, talvez o único clube no país apto a se enquadrar em todos os quesitos para cumprimento do regulamento. À você, torcedor do Palmeiras, fique tranquilo e saiba o que é o tal do Fair Play Financeiro. O básico em informar é estar embasado para dar credibilidade ao que você vai transmitir. Portanto, saiba que:

Criado em 2010 em uma iniciativa da UEFA, o “fair play financeiro” (FFP) foi estabelecido com o intuito de melhorar a saúde financeira global do futebol europeu de clubes. Entrou em funcionamento efetivamente em 2011. Desde então, os clubes que se qualificam para as competições da UEFA têm de provar que não tem dívidas em atraso em relação a outros clubes, jogadores, segurança social e autoridades fiscais. Por outras palavras, têm que provar que pagaram as contas. E funciona da seguinte forma: “A partir de 2013 os clubes passaram a ter de respeitar uma gestão equilibrada em “break-even”, que por princípio significa que não gastam mais do que ganham, restringindo o acúmulo de dívidas.”

Existe na UEFA um Comitê de Controle Financeiro dos Clubes da UEFA (CFCB) que estabelece quais serão as punições para os clubes em caso de descumprimento de tais regras.

 A não-conformidade com os regulamentos não significa que um clube seja excluído automaticamente de competições, mas não haverá exceções. Dependendo de vários fatores (por exemplo, a tendência do resultado do equilíbrio das contas), podem ser impostas várias sanções disciplinares a um clube. Entre elas:

a) advertência

b ) repreensão

c ) multa

d ) dedução de pontos

e) retenção das receitas de uma competição da UEFA

f) proibição de inscrição de novos jogadores nas competições da UEFA

g ) restrição ao número de jogadores que um clube pode inscrever para a participação em competições da UEFA, incluindo um limite financeiro sobre o custo total das despesas com salários dos jogadores inscritos na lista principal (A) para a participação nas competições europeias

h ) desqualificação das competições a decorrer e/ou exclusão de futuras competições

i) retirada de um título ou prémio

Ranking de clubes com nome sujo no cartório

Que tenhamos a aplicação destas regras, o campeonato brasileiro, por exemplo, pode ter alguns adversários a menos.

O sistema de licenciamento de clubes da UEFA foi implementado na época 2003/04. Desde então, 53 clubes, em 57 ocasiões diferentes, que tinham garantido desportivamente a qualificação para a UEFA Champions League ou para a UEFA Europa League não foram aceites nas competições por não cumprirem os critérios de licenciamento ou de fair play financeiro. Existem grandes diferenças entre a riqueza dos diversos clubes e dos vários países, que são anteriores e independentes do “fair play” financeiro. O objetivo do “fair play financeiro” não é fazer com que todos os clubes tenham a mesma dimensão e riqueza, mas incentivar os clubes a prepararem o sucesso, em vez de procurarem uma “solução rápida para pagar dívidas”.

O exemplo é da UEFA, mas, como para os “especialistas” gostam tanto de falar do futebol de lá, basta adaptar para cá. Com isso, o enquadramento do “Fair Play Financeiro” será tranquilo para o Palmeiras que gasta de acordo com as possibilidades de suas arrecadações. Em resumo, a iniciativa é dar aos clubes a possibilidade de serem sustentáveis ao longo da história, não ter a mesma força para contratar ou não.

 

Informações sobre o Fair Play Financeiro foram extraídas de: http://pt.uefa.com/community/news/newsid=2065454.html


Opiniões do leitor
  1. Lucas Verde  Em   19 de janeiro de 2018 em 15:22

    Ótimo texto!
    O mais engraçado é que os mesmos que chamam de desleal a crefisa, não abrem a boca para falar sobre a globo que paga 170 milhões para os marmiteiros.
    Parece besteira, mas esse jornalista trabalha para o El país, um jornalzinho socialista, e o socialismo quer ver todos nivelados, mas na pobreza!

    Me lembro muito bem de um RAP dos racionais:
    “Na época dos barraco de pau lá na pedreira
    Onde cês tava?
    O que que cês deram por mim ?
    O que que cês fizeram por mim ?
    Agora tá de olho no dinheiro que eu ganho
    Agora tá de olho no carro que eu dirijo
    Demorou, eu quero é mais
    Eu quero é ter sua alma”

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