Eu nasci para te amar Palmeiras.

Escrito porno 12 de junho de 2018

12 de Junho de 1993/2018, dia da Paixão Palmeirense.

Querido Palmeiras,

Em 1914 você surgiu como Palestra Itália e no Parque Antarctica fez história. Eu sei que não foi fácil conseguir a nossa casa para acomodar todos os seus. 500 contos de réis foi uma fortuna árdua a se pagar não é mesmo? Mas aos poucos você foi conseguiu. Você tinha 300 mil m² e um gramado onde aos poucos as madeiras foram tomando forma de arquibancada e lá você fez milhares cantar e vibrar por um Palestra que fez bonito.

Eu infelizmente não estava lá para ver você fazer sua maior goleada no dia 08 de agosto de 1920 (Palestra Itália 11×0 Internacional de SP). Várias goleadas aconteceram em sua história e infelizmente eu também não pude presenciar uma das mais marcantes contra nosso maior rival em 1933 (Palestra Itália 8×0 Corinthians). Em 28 de Abril de 1940 você também fez bonito, contra o Coritiba inaugurou o Pacaembú com três gols de Echevarrieta, um de Elyseo, um de Sandro e outro de Luizi (Palestra Itália 6×2 Coritiba).

No dia 01 de março de 1942 você se despediu com um gol de Cabeção aos 25 segundos do primeiro tempo contra o Santos, pela última vez você jogou como Palestra Itália. Foi uma fase de lutas e de glórias. No dia 20 de setembro do mesmo ano você surgiu como até hoje é conhecido, o nosso Palmeiras. Alviverde e Imponente. Apesar da pressão pública e da pecha de inimiga da pátria, você entrou em campo, derrotou o rival São Paulo por 3 a 1 (gols de Cláudio, Del Nero e Echevarrieta) e conquistou o Campeonato Paulista da temporada (o nono de sua história). Você fez o nosso adversário desistir, fez eles saírem de campo aos 21 minutos do segundo tempo. Conquistamos nosso histórico troféu alviverde, e ficamos conhecidos pela “Arrancada Heroica”.

Em 1994 foi quando eu nasci, com você sendo Campeão Brasileiro em cima do nosso maior rival. Que recepção ein! A propósito, muito obrigada Palmeiras. Eu ainda era inocente, mas já possuía sua descendência. De sangue Italiano, fui criada em sítios que embora isolada de muitos, já cresci com uma bola no pé. Em absoluta verdade é que de boneca eu nunca entendi, mas de brigar por uma posição nas quadras e nos campos eu era “técnica”. Uma criança alucinada na verdade.

O fato é que eu não nasci sabendo quem tu eras, mas quando eu fui te conhecendo naturalmente fui me encantando pelas suas cores, afinal eu carrego nos olhos o verde de uma paixão. De uma paixão completa por você. Um segredo? Adoro encarar o espelho, me faz lembrar por quem eu canto e vibro. Às vezes me lembro com raiva, mas na maioria das vezes com amor.

Eu não sei se já te falei, mas eu comecei a te conhecer quando um dos meus tios chegou em casa com um conjunto da era Parmalat (que fase maravilhosa) e me ofereceu dois reais em moeda para te vestir. Eu tinha apenas 3 anos. E preciso te pedir desculpa Palmeiras, se eu soubesse o peso daquela camisa eu é quem teria pago a ele. Com 5 anos eu lembro do meu tio pulando comigo no colo, lembro de balões nas cores verde e branco e de muita gente. Lembro de muita euforia na real. Era o futebol. Era você Palmeiras fazendo a virada histórica contra o Flamengo, Euller nosso salvador e Evair nosso matador. Era você Palmeiras sendo Campeão da Libertadores em cima do nosso maior rival. Era nosso ano de obsessão. De glória.

Como tudo sempre existe um mas, porém, contudo, entretanto… Aos 7 anos vi esse mesmo tio te acompanhando aflito e eu sem entender muita coisa, ficava me perguntando “Por que ele faz essas caras estranhas de como quem quisesse chorar sendo que ele está assistindo o time que ele ama?”  Ah Palmeiras, de fato não é fácil ver quem ama sofrer. Ele e eu estava vivenciando seu primeiro rebaixamento em 2002! Que fase eu fui começar a te acompanhar ein? Eu via as pessoas zombando do meu tio, de você. Obviamente eu ainda não sabia o alívio que os palavrões às vezes poderiam causar.

Desde então foram anos um tanto difíceis. Em 2009 por exemplo foi um ano que eu com os meus 15, já estava mais madura e com mais conhecimento desse universo do futebol, foi quando eu comecei a mandar o juiz a …. bom você sabe. Um ano que era para ser de glória, mas você conseguiu me fazer perder a linha, eu e milhares né? Enfim. Existem muitas coisas que ficou difícil de engolir, assim como o ano de 2012, onde você mais uma vez judiou do meu coração. Na verdade, estraçalhou.

Nunca foi fácil te acompanhar, você sabe. Desde de criança lá no interior do Paraná, onde as vezes nem tinha sinal de TV eu tentava te ouvir pelo rádio. Você lembra das vezes que meu pai sistematicamente desligava a TV e nos separava por acreditar que futebol não era para menina? Eu chorava de raiva. Passava a semana em jejum e batendo as portas.

Família sempre foi e ainda é importante, mas há quem relute sobre o sentimento que eu tenho por você. O tempo passou e pela minha felicidade, muita coisa mudou. Faz aproximadamente uns 4 anos, desde aquele último sufoco que você me deu em 2014, que eu te sigo em todas as partes. Agora não só por uma transmissão de tela ou frequência. Eu vejo você. Eu sinto você. Eu respiro você. Eu vivo você. As vezes em um calor insuportável como no dia 09 de outubro de 2016 no Estádio do Café (Londrina- PR) contra o América-MG. Voltei para casa além de sem voz, com insolação a quase nível máximo. O resultado foi de 2 a 0 para você o MAIOR CAMPEÃO NACIONAL e uma semana de cama para mim. Dane-se. Mas tem aquelas vezes também, não precisamos ir muito longe…mal tinha me recuperado e uma semana depois contra o Figueirense, aqui no Orlando Scarpelli (Florianópolis-SC), te vi de baixo de uma chuva que foi de lavar a alma. Resultado? 2×1 para você meu Verdão e uma gripe de quase mais uma semana de cama para mim. Dane-se de novo. O ano de 2016 foi incrível te acompanhar. Você nos fez dar uma respirada irônica pelo 2009. Obrigada por deixarem eles apenas no cheirinho.

Fora de ordem eu sei, mas eu não podia me esquecer do ano anterior. Eu vi você levantando a taça de Campão da Copa do Brasil (Tri Campeão). Cantar “Santos o caralho, lugar de peixe é dentro do aquário” nunca foi tão extravasante como naquela noite de 25 de novembro de 2015. Foi lá que nosso menino Jesus brilhou, Dudu se consagrou nosso guerreiro e o Prass, ah esse se eternizou!

Em 2017 vivi uma época literalmente do outro lado do mundo (Filipinas), não foi fácil te acompanhar em um fuso com 13 horas de diferença. Acordar ou dormir as 4AM ou 6AM era bem difícil sabia? De alguma forma você sempre estava comigo. As pessoas sempre perguntavam qual era o time da camisa que eu estava vestindo e mesmo eu ainda não sabendo muito o inglês era fácil demonstrar o que você representava pra mim. Bastava jogar um futebol com eles e mostrar o P no peito, de Palestra Itália, de Palmeiras e eles já entendiam que era o time do meu coração. Se hoje eu voltar lá, eles com certeza saberão o que você é.

É Palmeiras… são muitas as histórias que eu já tenho com você e vividas por você. Já foram muitos km rodados, muitas horas dedicadas, muitos 2 reais envolvidos, por um único sentimento, amor. E essas histórias Palmeiras, tenha a certeza de que é apenas um começo. Porque todo amor que eu sinto por ti eu vou passar para o meu filho e para o resto da minha vida estarei contigo. E se me permite fazer um pedido para esse ano, me traz um título. Quero dizer, ousadamente me traz a Libertadores, obsessão.

E jamais esqueça que: eu nasci para te amar.

Com amor,

Naiély Tauany Belinato.

Foto: Araceli Caetano

 


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